sem horas, anos, séculos, milênios. segundo e minutos. é passar sem sentir os ponteiros, sem olhá-los, sem vigiar. sentir só passar. somente, e nada mais. fazer as coisas no tempo, mas em tempo outro. que não indica hora de comer, de cagar, de dormir, de acabar a aula, de ver tv.
agir no tempo do corpo que se move sem necessariamente um sentido. como uma bussola que nunca aponta para o norte. mas também não aponta para o leste, oeste, sul.
o corpo segue na direção de um tempo que não tem lugar. um lugar que está fora do tempo. tempo e espaço fora de si mesmos. fora do corpo. dentro da pele.
é de fora, mas também de dentro. abandonar o relógio pra se guiar pelas vontades do próprio corpo e com os corpos dos outros. produzir com os dois. produzo com um outro corpo, com um objeto. e isso se materializa... fugindo das determinações maquínicas.
é como as relações que acabam, voltam, continuam... têm uma intensidade que tempo cronológico algum dar conta. cada uma tem a sua - i n t e n s i d a d e - independente dos anos e dos segundos.
e elas duram. nem que seja por dois minutos. duram como aquele amor para sempre, amor de avó, de mãe. dura para uma eternidade. de maneira diferente. é duradoura em si mesma, no corpo, no que resultou naquele intervalo de segundo. como afetou o corpo naqueles milésimos.
por mais que não volte a ver aquele outro corpo, algo fica. sempre fica.
são muitos nas ruas da cidades, como muitos dentro de nós. e é com essas gentes das ruas que entendemos esse durar sem ter por perto.
o senhor do bar que dá o telefone de casa e paga uma cerveja. o moço que te canta uma música no centro. uma jogatina de sinuca com senhores num bairro distante. uma esmola para o mendigo. a moça da cafeteria que sorri e te serve um café.
são muitos que nos afetam e produzem outra coisa conosco. fluxo com corte de fluxo, sim. mas durando independentemente de tempo e espaço...
são muitos em mim.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
terça-feira, 14 de abril de 2009
.do apego.
não encontrar aquilo que você espera estar lá no seu lugarzinho. é disso. essa certeza que dá certeza que num súbito de provável perda o coração aperta.
mais uma vez não, penso. sair voando assim de mim inesperadamente.
coisa de apego, sentir sem saber que precisa ver.
por pouquissimos minutinhos: caiu da janela e já tava nos braços de uma moça.
se tremendo, pára de bicar e fecha os olhos.
ai que alívio.
mais uma vez não, penso. sair voando assim de mim inesperadamente.
coisa de apego, sentir sem saber que precisa ver.
por pouquissimos minutinhos: caiu da janela e já tava nos braços de uma moça.
se tremendo, pára de bicar e fecha os olhos.
ai que alívio.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
. das festas, conversas, doideras .
.meu caps ad. meu amores dos últimos tempos. x)
a espontaneidade da máfia.
a embriagez de uma bela amizade.
conversas na dose certa. numa dose de cachaça. pode ser de pedra 90 limão também, sem frescuras.
risos, choros, broncas, esculhambações, descobertas, perdas, confissões. numa medida certa que transborda.
nessa cidade todo mundo é de exú! hahahaha x)
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
das mensagens inesperadas
uma vida sem amor
é como um jardim sem flor
é como esperar um trem
que já passou!
parece as vezes cruel
parece até invenção
outros dirão que parece normal
como jornal, leite e pão
.capetão 666. pato fu.
[pelo meu menino, mais besta]
é como um jardim sem flor
é como esperar um trem
que já passou!
parece as vezes cruel
parece até invenção
outros dirão que parece normal
como jornal, leite e pão
.capetão 666. pato fu.
[pelo meu menino, mais besta]
domingo, 18 de janeiro de 2009
pintar forças
Como a arte capta forças? Torna visível o invisível? Como pintar o tempo, a gravidade, o grito, o peso? Tornar sonoras forças insonoras? Pintar o som? Fazer ouvir as cores? Esculpir a beleza? Pintar a dança? Escrever o movimento das ondas?
Com essas perguntas que abro um pensamento exposto por Deleuze sobre pintar as forças e o que entendemos por arte. A arte produz. É produção material, pois não há arte sem a materialidade da arte. Arte é um produto do homem e se caracteriza por um fazer, um fazer exclusivamente humano, que adquire uma materialidade, que tem que ser visto, percebido, pelos órgãos do sentido.
Antes de tudo, que materialidade da arte é esta? É aquilo que diferencia uma arte da outra. A matéria do cinema é a imagem. A da música é o som. A do teatro e da dança é o corpo. Mesmo no teatro de bonecos e marionetes, a matéria é o corpo, pois são eles que fazem o movimento, que criam. A arte presentifica algo que antes não estava presente.
A força tem uma relação estreita com a sensação. É preciso que uma força se exerça sobre um corpo. A sensação é tanto objeto quanto sujeito porque não possui lados. Assim, ao mesmo tempo, me torno na sensação e alguma coisa acontece por ela. “Um pelo outro, um no outro”. A sensação, então, está no corpo, pois como vimos, é sempre ele que está a fazer alguma coisa e que implica um esforço de alguma parte (modelar formas com as mãos, fazer música com mãos e ouvidos, dançar com todo o corpo, representar no teatro).
E como é então pintar essas forças? É expressar deformações do corpo que não são forçadas, mas sim forças simples como vontade de dormir, vomitar, de se virar, ficar sentado. Pôr em visibilidade o que é invisível. Como o grito: não é dar cores a um som nem mesmo tornar o grito harmonioso. É, sim, colocar o grito visível, a boca que grita. Pois as forças que compõem o grito não é aquilo que vemos; são forças invisíveis e insensíveis que transbordam até mesmo a dor e a sensação. E é dessa força que estamos falando.
Podemos concluir então dizendo que tudo é relação, pois nada é absoluto e estático, e sim dinâmico, composto por forças. Dessa forma, a dimensão da arte leva mais para um campo da visibilidade tornando visível o que é invisível, produzindo um novo ambiente, re-inventando. Faz surgir uma nova sensação ao compor as coisas de uma forma diferente. Criar e inventar ultrapassando limites instituídos e conhecidos.
Com essas perguntas que abro um pensamento exposto por Deleuze sobre pintar as forças e o que entendemos por arte. A arte produz. É produção material, pois não há arte sem a materialidade da arte. Arte é um produto do homem e se caracteriza por um fazer, um fazer exclusivamente humano, que adquire uma materialidade, que tem que ser visto, percebido, pelos órgãos do sentido.
Antes de tudo, que materialidade da arte é esta? É aquilo que diferencia uma arte da outra. A matéria do cinema é a imagem. A da música é o som. A do teatro e da dança é o corpo. Mesmo no teatro de bonecos e marionetes, a matéria é o corpo, pois são eles que fazem o movimento, que criam. A arte presentifica algo que antes não estava presente.
A força tem uma relação estreita com a sensação. É preciso que uma força se exerça sobre um corpo. A sensação é tanto objeto quanto sujeito porque não possui lados. Assim, ao mesmo tempo, me torno na sensação e alguma coisa acontece por ela. “Um pelo outro, um no outro”. A sensação, então, está no corpo, pois como vimos, é sempre ele que está a fazer alguma coisa e que implica um esforço de alguma parte (modelar formas com as mãos, fazer música com mãos e ouvidos, dançar com todo o corpo, representar no teatro).
E como é então pintar essas forças? É expressar deformações do corpo que não são forçadas, mas sim forças simples como vontade de dormir, vomitar, de se virar, ficar sentado. Pôr em visibilidade o que é invisível. Como o grito: não é dar cores a um som nem mesmo tornar o grito harmonioso. É, sim, colocar o grito visível, a boca que grita. Pois as forças que compõem o grito não é aquilo que vemos; são forças invisíveis e insensíveis que transbordam até mesmo a dor e a sensação. E é dessa força que estamos falando.
Podemos concluir então dizendo que tudo é relação, pois nada é absoluto e estático, e sim dinâmico, composto por forças. Dessa forma, a dimensão da arte leva mais para um campo da visibilidade tornando visível o que é invisível, produzindo um novo ambiente, re-inventando. Faz surgir uma nova sensação ao compor as coisas de uma forma diferente. Criar e inventar ultrapassando limites instituídos e conhecidos.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
cai chuva do céu cinzento
cai chuva do céu cinzento
que não tem razão de ser.
até o meu pensamento
tem chuva nele a escorrer.
tenho uma grande tristeza
acrescentada à que sinto.
quero dizer-ma mas pesa
o quanto comigo minto.
porque verdadeiramente
não sei se estou triste ou não,
e a chuva cai levemente
(Porque Verlaine consente)
dentro do meu coração
.pessoa.
encontros que fazem encaixes
que não tem razão de ser.
até o meu pensamento
tem chuva nele a escorrer.
tenho uma grande tristeza
acrescentada à que sinto.
quero dizer-ma mas pesa
o quanto comigo minto.
porque verdadeiramente
não sei se estou triste ou não,
e a chuva cai levemente
(Porque Verlaine consente)
dentro do meu coração
.pessoa.
encontros que fazem encaixes
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